Treinar a ADS foi mais forte do que pensar em todos os problemas

Pedro Oliveira, 42 anos, natural do Porto. Antigo jogador do Boavista, FC Porto, Vitória FC, Cluj entre outros, iniciou a sua carreira de treinador ao serviço do FC Pedras Rubras, de onde chegou para treinar a Sanjoanense.

A Sanjoanense começou a pré temporada três semanas antes do início do campeonato. Direcção nova, plantel todo novo, equipa técnica nova. Chamaram-lhe louco quando aceitou o projeto?

O apelo da Liga 3 e principalmente, o poder treinar a ADS foi mais forte do que pensar em todos os problemas. Obviamente, sabia que seria difícil, porém tenho muita confiança no meu trabalho. O presidente foi direto ao assunto, disse que seria uma luta, que teríamos muitos obstáculos, mas que o ADN da raça sapateira nos ia ajudar! Louco seria se não aceitasse.

Considera um risco, ou uma oportunidade ao aceitar o projecto? 

Uma grande oportunidade. Sem dúvida.

16 Jogos esta temporada ao serviço da Sanjoanense, 5 vitórias, 4 empates e 7 derrotas. Esperava melhores resultados?

Antes de começar a época, considero que seriam bons resultados. Depois de ver o que este grupo tem sido capaz, penso que podíamos ter feito melhor em alguns jogos e conseguido mais pontos. À exceção do Felgueiras, não fomos inferiores a nenhum dos nossos adversários e foram os erros evitáveis que não nos permitiram estar ainda mais confortáveis na tabelaclassificativa.

Tendo em conta o início de época acha que está a fazer um milagre?

Não. A minha equipa técnica é muito competente. Com o apoio incondicional da direção, temos trabalhado de maneira a proporcionar as melhores condições aos jogadores, quer do ponto de vista das condições de trabalho, quer no contexto de   preparação de treinos e jogos. 

Depois, a salientar os atletas: são eles os artistas; têm correspondido às exigências e rigor técnico e isso tem-se concretizado nas alegrias que têm dado aos adeptos;serão sempre eles a razão do sucesso.

Quais foram as maiores dificuldades que encontraram?

Começar tarde a preparação da época desportiva. Não tivemos muito tempo para procurar jogadores, implementar sistema de jogo, introduzir as dinâmicas. O orçamento foi o possível e não conseguimos ir buscar “consagrados”. Tivemos de trabalhar os que temoselevar o seu nível para podermos ser competitivos nesta divisão.

No início de época os adeptos não exigiam vitórias, agora já exigem, acha justo isso acontecer?

Claro que sim. Eles acompanham-nos a todo o lado. Apoiam sempre. O mínimo que podemos fazer é lutar com o mesmo fervor com que eles nos motivam.

Faltam 4 jogos para o final da primeira fase. Acredita que a Sanjoanense vai conseguir garantir os quatro primeiros lugares?

Acredito que sim. Desde o início que lhes passei esse objetivo.

O plantel é constituído por atletas vindos de divisões inferiores, considera isso uma vantagem?

Não é uma vantagem. A experiência faz sempre falta, sobretudo numa divisão tão competitiva, e não conseguimos assegurar alguns dos jogadores da época passada atempadamente

Contudo, não me foco no problema, mas sim na solução, que passou por definir outro plano.
Acredito que há bons jogadores “perdidos” nessas divisões a quem só falta uma oportunidade. Se tiverem qualidade e ambição do profissionalismo, têm a minha atenção, independentemente da divisão que atuem

O plantel tem uma média de idades 23 anos, perspectiva um futuro promissor para os jogadores da Sanjoanense?

Espero que sim, pois, também trabalhamos com esse intuito: o da valorização do atletaEles têm crescido, têm trabalhado muito pelo clube e por eles próprios.Mas sabem que o que fizeram até agora, não chega, pois estão cientes da concorrência e de que tudo no futebol é muito efémero  passamos rapidamente de bestas a bestiais e vice-versa. Sabem ainda que a melhor maneira de singrarem neste meio é andar lá em cima

Privilegiar o coletivo é um fator que não abdico.

Qual foi o jogo que mais o marcou até ao momento?

Possivelmente, contra o Fafe em casa. Recordo que foi uma fase em que estávamos muito curtos em termos competitivos, ficamos reduzidos a 10 aos 2 minutos de jogo. Sofremos juntos e no fim resgatamos um ponto aos 92’. Aí percebi que tinha uma equipa de guerreiros,que nunca se ia dar por vencida.

A liga 3 esta época está mais equilibrada do que na época passada?

Sim. A tabela classificativa assim o diz. Felgueiras noutro patamar, mas todas as outras na luta…

A Sanjoanense está perto de atingir 100 anos. Esta época pode ficar na história do clube?

É um ano importante para a ADS: entramos no reduzido leque de clubes centenários e este é um tema muito abordado aos meus atletas. Queremos muito escrever uma página de sucesso no livro da história da ADS.

As bancadas do Conde Dias Garcia ao longo da época têm tido mais público, sentem o apoio dos adeptos?

Muito. São leais e não se rendem. Como a equipa tem de ser!

Uma mensagem aos adeptos da Sanjoanense.

Agradecer todo o apoio, carinho e paciência que têm tido com a equipa.
Continuem, pois nós sentimos os vossos cânticos / apoio, que é um fator motivacional enorme para todos darem o máximo dentro das quatro linhas.